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Em *Francisco Félix de Souza, mercador de escravos*, Alberto da Costa e Silva examina a trajetória de um brasileiro que se tornou uma figura central do tráfico atlântico de pessoas na costa do atual Benim, especialmente em Uidá, durante a primeira metade do século XIX. Trata-se de uma obra de história biográfica, mas seu propósito ultrapassa o retrato individual: por meio de Francisco Félix de Souza — conhecido na tradição local como Chachá —, o autor investiga as conexões comerciais, políticas e culturais entre o Brasil e a África ocidental. A narrativa situa o personagem num mundo atlântico em que negociantes luso-brasileiros, autoridades africanas, capitães de navios e mercados coloniais participavam de uma economia fundada no cativeiro. Costa e Silva não transforma a ascensão do mercador em aventura isolada; ela é tratada como evidência das instituições e relações de poder que sustentaram o tráfico. O livro também evidencia que os vínculos Brasil-África foram duradouros, complexos e marcados tanto por circulação cultural quanto por violência sistemática.