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Em *Modernidade em preto e branco: Arte e imagem, raça e identidade no Brasil, 1890-1945*, o historiador da arte Rafael Cardoso investiga como imagens participaram ativamente da formulação de ideias sobre raça, pertencimento e nação no Brasil entre o fim da escravidão e o término do Estado Novo. Trata-se de uma obra de história da arte e cultura visual que desloca a discussão da simples representação de pessoas negras para examinar os códigos visuais que tornaram a branquitude, a mestiçagem e a diferença racial inteligíveis — e hierarquizáveis — no espaço público. O livro articula pintura, fotografia, ilustração, caricatura, publicidade e outras imagens reproduzidas, mostrando que a modernidade brasileira não foi um cenário neutro para a arte. Ela foi construída em meio a disputas sobre progresso, imigração, trabalho, cidadania e memória da escravidão. Ao privilegiar tanto obras consagradas quanto materiais visuais de circulação mais ampla, Cardoso questiona narrativas lineares sobre a identidade nacional e sobre o modernismo. Seu propósito central é evidenciar que raça não constitui um tema periférico na história visual do período, mas uma estrutura decisiva de sua produção, recepção e preservação.