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“E eu não sou uma mulher?”: A narrativa de Sojourner Truth reúne a trajetória da abolicionista e ativista norte-americana Sojourner Truth, nascida escravizada como Isabella Baumfree, por volta de 1797, no estado de Nova York. Publicada originalmente em 1850 a partir de relatos ditados por Truth — que não aprendeu a ler nem a escrever —, a narrativa é simultaneamente testemunho de vida, documento histórico e intervenção política. A edição brasileira da Ímã Editorial aproxima essa autobiografia de seu discurso mais célebre, pronunciado em 1851 na Convenção dos Direitos das Mulheres em Akron, Ohio. O livro acompanha uma experiência marcada pela escravização, pela busca de autonomia, pela maternidade ameaçada pela separação familiar e pelo engajamento público contra o racismo e a desigualdade de gênero. Seu propósito não é apenas registrar uma biografia excepcional: é mostrar como a exclusão das mulheres negras expunha os limites das noções dominantes de liberdade, cidadania e feminilidade nos Estados Unidos do século XIX. Trata-se, portanto, de uma leitura histórica fundamental para debates atuais sobre feminismo negro e direitos civis.