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Em A Guerra é nossa: a Inglaterra não provocou a Guerra do Paraguai, Alfredo da Mota Menezes intervém em um dos debates mais persistentes da historiografia sul-americana: a explicação do conflito de 1864–1870 como produto decisivo de uma conspiração ou de interesses britânicos. O livro é um ensaio histórico de revisão interpretativa, voltado menos para narrar batalhas do que para questionar uma tese ampla, muito difundida no debate público brasileiro. Seu ponto central, explicitado no título, é que atribuir à Inglaterra a provocação da guerra reduz excessivamente a autonomia política dos países envolvidos e obscurece as tensões efetivas entre Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai. Menezes examina o contexto regional do Prata e a formação de decisões que levaram à escalada militar, chamando atenção para conflitos de fronteira, disputas de poder, alianças instáveis e cálculos estatais. A obra também funciona como crítica a leituras que transformam uma hipótese de dependência econômica em causa suficiente para explicar a origem do conflito. Trata-se, portanto, de uma defesa da complexidade histórica e da responsabilidade dos agentes sul-americanos.